Entrevista en Portgués y Español

Traducción de Nadia Servilha

Devo dizer que investiguei um pouco sobre você, além do seu trabalho no NO_LIBROS, projeto que me levou até a ti. E devo dizer que realmente não sei por onde começar! Mas como os livros nos trouxeram até aqui, poderíamos começar por aí.

Tengo que decir que he investigado un poco sobre ti, más allá de tu trabajo en NO_LIBROS, proyecto por el que me topé contigo. Y tengo que decir que no sé por donde empezar! Pero ya que los libros nos han traído a las dos hasta aquí, podríamos empezar por ahí.

Stalker!

De onde você veio e o que te levou a Barcelona? / ¿De dónde vienes y qué te llevó hasta Barcelona?

Eu vim do Brasil, cidade de São Paulo. Cheguei na Espanha 2 anos e meio atrás. Vim junto com o meu ex namorado num intento louco de viver em outro país, talvez eu mais ainda pela situação política e econômica que me rodeava alí e me deixou muito triste por um período de tempo. Viemos a Barcelona no fim de 2018 morar com uns amigos, rapidamente cada um seguiu um caminho na vida, eu me estabeleci por aqui, com o editorial, o mestrado no MACBA-PEI, um trabalho para uma galeria, agora um coletivo de audiovisual e minhas coisas que ainda seguem em São Paulo, como a livraria da Plana.

Vine de Brasil, de la ciudad de São Paulo. Llegué a España hace dos años y medio. Me vine junto a mi ex pareja, en un intento loco de vivir en otro país, tal vez vez yo aun más, por la situación política y económica que me rodeaba allí y que me dejó muy triste por un periodo de tiempo. Nos vinimos a Barcelona a finales del 2018, a vivir con unos amigos. Rápidamente cada uno siguió un camino en la vida. Yo me establecí  por aquí, con la editorial, el máster en MACBA-PEI, un trabajo para una galería, ahora un colectivo de audiovisual y mis cosas que aun siguen en São Paulo, como la librería de la Plana.

Os livros são objetos fantásticos. Suas possibilidades de formato, cor, conteúdo, tamanho, textura … são infinitas. Que aspectos formais e emocionais você destacaria em um livro ou publicação? / Los libros son unos objetos fantásticos, sus posibilidades de formato, color, contenido, tamaño, textura… son inagotables. ¿Qué aspectos formales y emocionales destacarías de un libro o de una publicación?

Acho que cada livro é um livro, com suas particularidades, história e vida própria. Gosto de pensar no livro não apenas como um objeto que vai da livraria pra estante, mas do processo que houve até ele chegar na nossa mão. Esse caminho é muito importante para que seja um objeto mais valorizado. Que cada um entenda que um livro demanda muitas pessoas envolvidas, que custa muito tempo, dedicação, pensamento e as vezes dinheiro. Eu já nem tento separar mais um livro feito por um grande editorial de um fanzine impresso em fotocópia, de criar estandartes de importancia ou valor, porque também entendi que essas particularidades tornam eles únicos, não num sentido romântico, mas muito racional. Imagine Balzac escrevendo a Comédia Humana em 1800 e o caminho que esse texto fez para chegar na sua estante em forma de uma publicação impressa em 2020 pelo editorial XYZ em catalão? É tanto processo, trabalho, negociação, investimento, sorte e azar envolvidos que fica difícil enumerar.

Creo que cada libro es un libro con sus particularidades, historia y vida propia. Me gusta pensar en el libro, no apenas como un objeto que va de la librería a la estantería, sino en el proceso que ha habido hasta que éste llega a nuestras manos. Ese camino es muy importante para que sea un objeto más valorizado. Que cada uno entienda que un libro requiere muchas personas implicadas; que cuesta mucho tiempo, dedicación, pensamiento y, a veces, dinero.
Yo ya ni intento separar un libro hecho por una gran editorial de un fanzine impreso en fotocopia; de crear estandartes de importancia o valor. Porque también he entendido que esas particularidades los vuelve únicos. No en un sentido romántico, sino racional. ¿Te imaginas el camino que ha recorrido el texto La Comedia Humana, de Balzac, desde que fue escrito en 1800, hasta poder llegar a tu estantería en forma de publicación impresa en 2020, por la editorial XYZ, en catalán?

Da pra aprender muito olhando para os livros que foram publicados ao longo da história … O papel; o livro, fala muito sobre nós, não é? / Se puede conocer tanto observando los libros que se han ido publicando a lo largo de la historia… El papel; el libro, dice mucho sobre nosotrxs, ¿verdad?

Claro, assim como todos os objetos que criamos e permanecen entre nós. A sorte do livro é que ele demanda um diálogo, não conta histórias sozinho, precisa ser lido e entendido, então seria muito injusto que o deixássemos morrer na solidão. Esse esforço de aprender a ler, aprender a interpretar, pesquisar e investigar que começamos desde criança nos permite essa interlocução com o livro para que ele nos conte as coisas, do passado, presente e futuro.

Claro, así como también todos los objetos que creamos y permanecen entre nosotros. La suerte del libro es que él demanda un diálogo, no solo cuenta historias. Necesita ser leído y entendido. Entonces, sería muy injusto que lo dejáramos morir en soledad. Ese esfuerzo de aprender a leer, aprender a interpretar, realizar una búsqueda y investigar, que empezamos a aprender desde la infancia, nos permite esa interlocución con el libro para que él nos cuente las cosas. Del pasado, del presente y del futuro.

Várias vezes ouvi das pessoas que “o papel morreu”. Eu acredito que o papel nunca vai desaparecer completamente da nossa vida, quase se poderia dizer que somos homo-papyrus . O que pode ser verdade é que a relação entre o papel e a maioria das pessoas se esvaiu, como algo sintomático. O que você acha? / Varias veces he oído en boca de personas de a pie que “el papel ha muerto”. Yo creo que el papel nunca desaparecerá de nuestras vidas, prácticamente se podría decir que somos homo-papyrus. Lo que quizás sea cierto es que la relación entre el papel y la mayoría de personas se haya desgastado, como algo sintomático. ¿Tú que opinas?

Somos muito dependentes do papel ainda. Olha ao redor, cadernos, livros, anotações, embalagens, posteres, cigarro, cartas, dinheiro. Pode ser que o papel mudou, como qualquer coisa. O que antes era um trabalho de artesania, feito localmente com a madeira molhada, que durava eternidades pra fazer, mas também para desfazer, agora é uma produção industrial que não temos nem idéia de como se dá. Florestas de eucalipto, químicos, máquinas, larga escala, containers, navios, exportação, custo baixo e qualidade duvidosa. Não seria o papel assim tão especial para ser salvo da lógica neoliberalista. Mas importante o suficiente para ser uma indústria que nutre muitas necesidades ainda. Inclusive fazer livros. Ninguém nem se lembra mais que o Kindle existe.

Somos muy dependientes del papel, aún. Mira a tu alrededor: libretas, libros, anotaciones, embalajes, pósters, cigarros, cartas, dinero. Puede que el papel haya cambiado, como cualquier otra cosa. Lo que antes era un trabajo de artesanía, hecho localmente con la madera mojada, que duraba eternidades hacerlo, pero también deshacerlo, ahora es una producción industrial que no tenemos ni idea de cómo ocurre. Bosques de eucalipto, químicos, máquinas, grandes escalas, containers, barcos, exportación, bajo coste y calidad dudosa. El papel no es algo tan especial como para salvarse de la lógica neoliberalista. Pero lo suficientemente importante para ser una industria que nutre muchas necesidades aún. Incluida la de hacer libros. Nadie se acuerda ya de que existe Kindle.

Falando da nossa relação com o papel, você é a fundadora da Plana Art Book Fair, festival que celebra o livro e a autopublicação em São Paulo. Um ótimo espaço para se conectar com as pessoas e algo muito importante: fazer cultura. Que experiências vividas no festival você destacaria? / Hablando de nuestra relación con el papel, eres fundadora de Plana Art Book Fair, un festival que celebra los libros y la auto publicación en Sao Paulo, es un espacio genial para conectar con gente y algo muy importante, hacer cultura. ¿Qué experiencias vividas en el festival destacarías?

O festival esteve por muitos anos presente na minha vida, foi uma coisa linda e complicada, que eu nem sei explicar como chegou onde chegou. Acho que a maior experiecia da Plana foi fazer de maneira intuitiva e lutar para que nunca mudasse sua personalidade. Quando fiquei refém, tratei de encerrar o projeto. E graças a ela, pude viajar o mundo, conhecer quase todos os continentes, promovendo intercambios, conhecendo outros projetos e deixar uma pequena via de conexão aberta por muito tempo, mesmo que o Festival não exista mais.

El festival estuvo por muchos años presente en mi vida. Fue una cosa linda y complicada, que ni sé explicar como llegó a donde llegó. Creo que la mayor experiencia que me proporcionó Plana fue hacerlo de una manera intuitiva y luchar para que nunca cambiara la personalidad. Gracias a Plana, pude viajar por el mundo, conocer casi todos los continentes promoviendo intercambios, conociendo otros proyectos y dejando una pequeña vía de conexión abierta por mucho tiempo, aunque el Festival ya no exista.

A verdade é que aí uma se pergunta: como se organiza um festival para 20.000 pessoas? com a ajuda de um bom grupo de amigos? / La verdad es que una se pregunta: ¿cómo se organiza un festival al que asisten 20.000 personas?, ¿con la ayuda de un buen grupo de amigos?

Não sei direito, o grupo de amigos era muito pequeno, que se pode contar em uma mão, mas todos tão apaixonados e envolvidos que ajudou demais. Foi uma loucura, pro bem e pro mal, não teria energia para fazer outra vez. Muita burocracia, custos altos, noites sem dormir, dívidas e responsabilidades.

Realmente, no sé. El grupo de amigos era muy pequeño, se podían contar con los dedos de una mano. Pero todos tan apasionados e involucrados, que fueron de gran ayuda. Fue una locura, para lo bueno y para lo malo. No tendría energías para hacerlo otra vez. Mucha burocracia, costes altos, noches sin dormir, deudas y responsabilidades.

Com a Plana, vocês ajudaram a desenvolver o setor da autopublicação no Brasil. Como você vivencia isso em São Paulo em comparação com Barcelona? Têm muitos pontos em comum? As formas de fazer as coisas são diferentes? / Con Plana, ayudasteis a desarrollar el sector de la auto publicación en Brasil. ¿Cómo lo vives en São Paulo en comparación con Barcelona?, ¿tienen muchos puntos en común?, ¿las formas de hacer son diferentes?

Vejo totalmente diferente. Quando comecei com isso em São Paulo, em 2012, não existia cultura de feira de livro, pouca gente sabia de que se tratava um livro de artista, o pessoal tinha medo de se autopublicar, os livros nasciam e morriam sem distribuição, poucos tinham a sorte de chegar na estante de alguém. Mas isso aconteceu simultaneamente em muitos países, foi uma onda de feiras e pequenas livrarias especializadas acontecendo ao mesmo tempo. Não vi isso acontecer com tanta força em Barcelona, talvez um pouco mais em Madrid. Aqui percebo um movimento diferente, muito atrelado e dependente das intituições, tudo custa mais caro para fazer, existe uma espécie de concorrência e ciumes entre o que já existe, os espaços já estão definidos, a onda passou, a crise é mais intensa, dá medo até de tentar. Me parece uma pena com toda a história anarquista dessa cidade. O que vejo de diferente e especial aqui são os arquivos e bibliotecas, muito bem cuidados e interessantes, desde o CED no Macba até o arxiu da Can Batlló.

Lo veo totalmente diferente. Cuando comencé con esto en São Paulo, en 2012, no existía una cultura de feria de libros. Poca gente sabía de qué se trataba un libro de artista, las personas tenían miedo a autopublicar. Los libros nacían y morían sin distribución; pocos tenían la suerte de llegar a la estantería de alguien. Pero eso ocurría simultáneamente en muchos países. Fue una oleada de ferias y pequeñas librerías especializadas sucediendo al mismo tiempo. No vi que eso ocurriera con tanta fuerza en Barcelona, tal vez sí un poco más en Madrid. Aquí percibo un movimiento diferente, muy dependiente de las instituciones; todo cuesta más caro hacerlo. Existe una especie de competividad y celos hacia lo que ya existe; los espacios ya están definidos. La oleada ya pasó y la crisis es aún más intensa; da hasta miedo intentarlo. Me parece una pena, con toda la historia anarquista de esta ciudad. Lo que veo de diferente y especial aquí son los archivos y bibliotecas, muy bien cuidados e interesantes. Desde el CED en el MACBA, hasta el archivo de Can Batlló.

Como uma empresa independente como a NO_LIBROS é sustentada? Qual é o seu processo de trabalho na editorial? / ¿Cómo se sustenta un negocio independiente como lo es NO_LIBROS? ¿Cuál es tu proceso de trabajo en la editorial?

A No_Libros começou sem nenhum centravo, portanto eu fazia quase todos os processos editoriais sozinha. Graças a um projeto que apresentei no Brasil que me pagou uma boa quantidade de dinheiro, pude investir nas primeiras 10 impressões e traduções. Agora mesmo, acabou o dinheiro, voltei ao zero com a crise do COVID e não tenho nenhum projeto que possa concretizar. Os livros seguem circulando, estão a venda em livrarias e pouco a pouco vão trazendo retorno, porque o processo editorial é bastante lento. Eu costumo convidar artistas que escrevem para publicar ensaios e textos que ainda não foram publicados em castellano, o acordo é feito diretamente com eles, de uma maneira muito particular, que eu decidi. Não posso comprar direitos, mas invisto em tradução e distribuição. Ninguém paga para publicar na No_Libros. Então, trabalho na edição, depois envio para um tradutor, depois uma primeira revisão, faço a segunda revisão, outro revisor faz a terceira. Nisso já se passa quase um ano. Então faço a diagramação, quando posso convido alguém para fazer a capa ou escrever um prefácio.

Nos últimos meses, uma amiga minha me ajudou a fazer a distribuição nas livrarias, pois essa parte eu tinha preguiça, dormia com caixas e caixas de livros no meu quarto porque não me esforçava em falar com o comércio. Fomos muito bem recebidas e agora os livros circulam e são vendidos.

No_Libros empezó sin un centavo, por lo tanto yo hacía casi todos los procesos editoriales sola. Gracias a un proyecto que presenté en Brasil y que me pagó una buena cantidad de dinero, pude invertir en las primeras 10 impresiones y traducciones.
Ahora mismo, el dinero se acabó, he vuelto al cero con la crisis del COVID y no tengo ningún proyecto que pueda concretar. Los libros siguen circulando, están en venta en librerías y poco a poco van aportando retorno, porque el proceso editorial es bastante lento.
Yo acostumbro a invitar artistas que escriben para publicar ensayos y textos que aún no han sido publicados en castellano. El acuerdo es realizado directamente con ellos de una manera muy particular, que yo decidí. No puedo comprar derechos, pero invierto en traducción y distribución. Nadie paga para publicar en No_ Libros.
Entonces, trabajo en la edición, luego, la envió a un traductor, después, una primera revisión, a lo que le sigue mi segunda revisión y, posteriormente, otro revisor hace la tercera revisión. Con todo esto, ya pasa casi un año. Luego hago la maquetación y, en cuanto puedo, invito a alguien a hacer la portada o escribir el prefacio.

En los últimos meses, una amiga me ha estado ayudando a hacer la distribución en las librerías, pues ésta era una tarea por la que sentía pereza. Dormía con cajas y más cajas de libros en mi cuarto porque no me esforzaba en hablar con el comercio. Fuimos muy bien recibidas, y ahora los libros circulan y son vendidos.

Que livros você recomenda da sua biblioteca pessoal? Porque imagino que você tenha uma em casa kkk ☺ / ¿Qué libros recomiendas de tu biblioteca personal?, porque supongo que tienes una en tu casa jaja ☺

Tenho bibliotecas espalhadas em todas as partes, porque livro é muito pesado pra ficar carregando pra lá e pra cá, então aprendi a me desapegar ☺ Em São Paulo deixei uma biblioteca imensa na minha livraria, a Casa Plana. Os livros mais raros e especiais coloquei na maleta pra vir pra cá. Agora, a biblioteca que formei na minha casa de Barcelona é um pouco diferente, são livros de teoria que usei pra minha tese e um monte de fanzine que ganhei. Do que tenho aqui, tenho duas coisas preferidas. Um livro que se chama Oracles Artists’ Calling Cards e uma edição da revista concretista Artéria no. 1 que trouxe do Brasil.

Tengo bibliotecas esparcidas por todas partes, porque el libro pesa demasiado como para cargarlos de aquí para allá. Entonces, aprendí a desapegarme de él ☺ En São Paulo dejé una biblioteca inmensa en mi librería Casa Plana. Los libros más raros y especiales los coloqué en la maleta al venirme aquí. Ahora, la biblioteca que creé en mi casa es un poco diferente. Son libros de teoría que usé para mi tesis y un montón de fanzines que he ido ganando. De lo que tengo aquí, tengo dos predilecciones: un libro que se llama Oracles Artists’ Calling Cards y una edición de la revista concretista Artéria no. 1, que traje de Brasil.

https://www.editionpatrickfrey.com/en/books/oracles-artists-calling-cards-pierre-l eguillon-barbara-fedier

https://colecaolivrodeartista.wordpress.com/2015/11/02/arteria-1/

Por último, o que você pensa quando ouve a palavra “papel”? / Por último, ¿en qué piensas cuando oyes la palabra “papel”?­­

Imigrantes? Inmigrantes?

Bia Bittencourt

Escrito por:paula rodriguez

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